Plantar sementes de amor em cada vida e em cada história

Plantar sementes de amor em cada vida e em cada história

“Eu plantei, Apolo regou, mas era Deus quem fazia crescer. Assim, aquele que planta não é nada, e aquele que rega também não é nada: só Deus é que conta, pois é ele quem faz crescer” (1 Cor 3,6-7).

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2016 (23 de outubro). Igreja missionária testemunha de misericórdia. “Queridos irmãos e irmãs! O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que a Igreja está a viver, proporciona uma luz particular também ao Dia Mundial das Missões de 2016: convida-nos a olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material. Com efeito, neste Dia Mundial das Missões, todos somos convidados a sair como discípulos missionários, e por os talentos, a criatividade, a sabedoria e experiência de cada um de nós para levar a mensagem da ternura e da compaixão de Deus a todas as famílias. Em virtude do mandato missionário, a Igreja se dirige aos que não conhecem o Evangelho, pois deseja que todos sejam salvos e cheguem a experimentar o amor do Senhor….cheguem a experimentar o amor do Senhor…”papa-351734

O Papa Francisco faz questão de afirmar: “a causa missionária deve ser a primeira de todas as causas”. Que sucederia se tomássemos realmente a sério essas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja” (EG 15).

Na Campanha Missionaria de 2016, trazemos o tema: cuidar da Casa Comum é a nossa missão, decorre expor a aflição pela ecologia e pelo pobre que sofrem, e com a Encíclica Laudato Sí, o Papa Francisco recomenda que a existência humana fundamentasse em três relações intimamente conectadas: “as relações com Deus, com o próximo e com a terra (LS66).” E vem elevar a voz junto com todos aqueles que gritam há tempos, mas muitas das vezes tem sido debelados ou amordaçados pelo sistema. “Que tipo de mundo queremos deixar a quem nos suceder, as crianças que estão crescendo? (LS160)”. Nosso Arcebispo Dom Orlando Brandes comentando a Encíclica, e para nós missionários, traz a todos a responsabilidade de fazer hoje, agora, e cada um tem a sua contribuição:

“Como vemos, grandes e pequenos, poderosos e humildes, todos podemos colaborar em favor do meio ambiente. Há uma velocidade humana de destruição ambiental em contraste com a lentidão da natureza em se recuperar. Os poderes econômicos e políticos tentam mascarar e ocultar os problemas ecológicos”. (Dom Orlando Brandes).

A Laudato Sí orienta: “O consumismo avança sem limites e a terra se torna mais cinzenta e limitada” (LS34). A humanidade, porém, tem ainda capacidade de recomeçar na construção da nossa casa comum. ”(Dom Orlando Brandes).

O que é então fazer Missão na Igreja? Sabemos que a palavra missão tem significado de um encargo, incumbência, um ato de servir. Para nós cristãos a palavra MISSÃO tem um significado que vai além; somos chamados, enviados, para responder ao mandato de Jesus Cristo, para florescer e construir um mundo novo onde a justiça e a paz seja centro de toda atividade humana, buscando viver o que Jesus ensinou e experimentando o Amor do Pai pelo Espírito derramado em nossos corações a partir do batismo. Essa vocação de ser missionário há recebemos no batismo, com a missão de ser outro Cristo, de anunciar a Boa Nova do Reino, e denunciar as injustiças; e para fazer Missão tem que ter um coração semelhante ao de Cristo, manso e humilde, do modo que oramos na jaculatória: “fazei nosso coração semelhante ao Vosso”.

A Igreja é por sua natureza missionária (AG 2): a Igreja “é” ao ser enviada, ela se edifica em ordem à missão, não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. A missão gera a Igreja. Por isso, a Igreja “nasceu em saída” (EG17;20;24;46), no momento em que, orientada pelo Espírito, entra em contato com os outros e reencontra a si mesma, todas as vezes que sai de Sí e se abre: a comunidade cristã deve a própria origem ao anúncio do Evangelho, e a própria vitalidade à continua e corajosa transmissão deste anúncio mundo afora.

Para nossa Arquidiocese Dom Orlando Brandes tem nos motivado a tomar a iniciativa e buscar criatividade em fazer missão com a própria fala do Papa Francisco: “prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e acomodação”. Dom Orlando complementa:

“Missão é evangelizar a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnância, sem medo. Consiste em ir à frente, ir ao encontro, tomar iniciativa, ousar mais, encurtar distâncias, entra na vida das pessoas e na noite do povo, procurar os afastados. Ficou famosa a expressão “Igreja em saída”, em chave missionária, Igreja do “ide”. Esta Igreja sai da acomodação, da mesmice, caminha, visita, semeia sem parar, sempre de novo”.

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Dom Orlando nos convoca a pedido do Papa Francisco a sermos Igreja missionária que contrai o cheiro das ovelhas, está perto dos pobres, vai às periferias existenciais que são todas as pessoas de boa vontade. A Igreja missionária toca nas feridas do povo. “Ela é como um hospital de campanha, uma mãe de coração aberto e portas abertas.”

Aparecida renovou mais uma vez o compromisso de Puebla, almejando uma nova primavera da missão ad gentes na América Latina (DAP 379): “o mundo espera de nossa Igreja latino-americana e caribenha um compromisso mais significativo com a missão universal em todos os continentes. Para não cairmos na armadilha de nos fechar em nós mesmos, devemos formar-nos como discípulos missionários sem fronteiras, dispostos a ir “à outra margem”, aquela onde Cristo ainda não é reconhecido como Deus e Senhor, e a Igreja não está presente” (DAP 376).

No mês missionário como não falar daqueles que são testemunhas de ser todo de Cristo, e praticaram os ensinamentos Dele em exaustão. Santa Teresinha nos ensina para ser missionário é preciso ter uma contínua vida de oração por todos: pelo Papa, Bispos, Padres, Diáconos, Seminaristas, Religiosos, todos os familiares, amigos, colegas de trabalho, enfermos, pessoas necessitadas. Os escritos de Santa Terezinha do Menino Jesus nos orienta há buscar cada dia mais o Amor como ela deixou em História de uma alma: “Ó Jesus, meu amor, minha vocação, encontrei-a afinal: Minha vocação é o amor!” Com seu exemplo e de tantos outros quase vinte sete mil Santos, nos ensinando o caminho para que todos nós sejamos missionários e construir pontes de amor entre os seres humanos, ousando sair ao encontro do outro, a partir da realidade em que cada um se encontrar. É Deus que nos conduz e nos impulsiona a ir pelo Caminho, seguindo seus passos.

Texto: Sem. Wailson Francez, Teólogo e Psicopedagogo Clínico.

 

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